P r o V e n t o
Quase trinta anos depois...
me alimentando com pão e água
o carrasco se aproximou das grades
da minha jaula e disse:
"Agora você já pode ir..."
...E, em seguida, afastou-se
ajeitando o cabelo
tremulando os cílios
com um sorrisinho hipócrita
no canto da boca
...Como se tivesse praticado alguma uma boa ação
imagine (?)! (que fofo!) - soltar-me às dez para as seis
para que eu pudesse morrer em liberdade
noutro lugar (!)
...Ignorando que, ali mesmo, eu já era livre
...Ali onde, diariamente
eu depurava minha imperfeição
livrando-me das ilusões de Maia
brincando com a negra K4 231
na escuridão do dia
soltando fumaça em meus pensamentos
...Antes eu estava casado com a morte
...Agora estou flertando com a vida
que está me mordendo
...Legal (!)
Agora quando eu olho para fora
me vejo por dentro (!)
...Nesta dimensão tudo é muito sutil
Tudo muito sensível
e interligado
inclusive os sonhos e a realidade...
...Mas, calma, há ainda as "Realidades Intangíveis"
ou, "Cambiáveis"
sobre as quais falaremos mais adiante...
VON TAD
me vejo por dentro (!)
...Nesta dimensão tudo é muito sutil
Tudo muito sensível
e interligado
inclusive os sonhos e a realidade...
...Mas, calma, há ainda as "Realidades Intangíveis"
ou, "Cambiáveis"
sobre as quais falaremos mais adiante...
VON TAD
Quase caí num buraco
olhando para aquela bunda
Quase tropecei naquele corpo
dormindo na calçada imunda
Vontade, velocidade da mente
Quase processo os pensamentos alheios
Estados de espírito na direção errada
Olhava para as meninas
e viajava no tempo
Mama boy
Ma Backer
...Desconfiava que os átomos
guardassem informações
de vidas, experiências passadas
de animais e plantas, de terra e ar
O bruto e o sutil
O leve e o pesado
Uma hora um
Noutro tempo ouro
Numa alternância mágica
Como num jogo de dados
Mama boy
Ma Backer
Tudo vibrava no meu peito
Correndo como o vento
Como sangue em meu coração
Uma hora silencioso
Outra hora, barulhento
Velocidade e direção
Tudo porém
passou a dar errado
passou a dar errado
quando eu tentei atribuir significado
às coisas percebidas.
Amigos da Onça
Quando eu caí, quem me empurrou?
às coisas percebidas.
Amigos da Onça
Algumas pessoas estão completamente malucas
viajando na mostarda
Ou, simplesmente, são mesmo filhas da puta
Mau caráter
Pois sequer percebem
Que não te enganam
Ou, se percebem, pior
Nesse caso, são também hipócritas
Num dia, sorridentes
te cumprimentam
No outro, retraídas
te ignoram
Como se você fosse invisível
Ou não fosse a mesma pessoa
do dia anterior...
Num dia
Te convidam para um almoço
Uma confraternização entre amigos, dizem
No dia seguinte
te exploram, te usam descaradamente
Num dia, vêm à sua casa
E se mostram tão felizes e satisfeitas
desejam ser bem recebidas
Agradecem o café
o bolo, as bolachas
a bebida, o sorvete a companhia
E até lhe dão presentes
E até lhe dão presentes
No outro
quando você padece
te ignoram, te dão as costas...
Quando eu caí, quem me empurrou?
E que me estendeu as mãos?
Quando eu parti, quem ficou?
E quem me acompanhou até o portão?
Quem riu, e quem chorou?
Quem nada sentiu?
...Penso que, por tudo isso
Por toda essa lama aparentemente imperceptível
que encobre essas pessoas
O mundo esteja essa droga que aí está
...Sem respeito
no trânsito nas ruas igrejas, escolas cinemas e bares
Nos clubes, associações, no comércio, na indústria
no setor público e na vida privada
Privada de vergonha
Privada de verdade
de sinceridade
de boa vontade
boas intenções
Amor pelo próximo
por si mesmo
por si mesmo
Há apenas
Interesses mesquinhos
individuais, levianos
Não importa o grupo
a coletividade
Mas apenas e tão somente
O interesse dessas criaturas
Interesses não nobres ou transcendentais
(se é que sabem o que vem a ser isso "transcendência"
e, ainda que saibam, com certeza, não experimentam isso)
(se é que sabem o que vem a ser isso "transcendência"
e, ainda que saibam, com certeza, não experimentam isso)
Têm apenas interesses imediatos materiais
hediondos
egoicos
“Foda-se o resto! Foda-se o outro!”
É o que devem pensar
em suas intimidades
em suas mediocridades
Que nunca poderá vir à tona
Porque, a mente não permite isso
A mente dessas pessoas (essa é sua característica inata, específica)
está sempre preparada, desde o início
está sempre preparada, desde o início
para se proteger, se preservar
justificar-se perante o sistema e para si mesma
Ou, quando não for possível
convencer "o outro" de que as aparências correspondem ao conteúdo
Ou, quando não for possível
convencer "o outro" de que as aparências correspondem ao conteúdo
Creio que esse seja o motivo, volto a dizer,
de estar tão mal e em franca decadência
a nossa cultura essa sociedade alienada que aí está
de estar tão mal e em franca decadência
a nossa cultura essa sociedade alienada que aí está
Um mundo cheio de hipócritas e FDPs
Que lotam igrejas aos domingos
e até distribuem santinhos
dão as mãos no fim da missa ou do culto
atiram moedas de dez centavos ao meu amigo Fabiano
e até distribuem santinhos
dão as mãos no fim da missa ou do culto
atiram moedas de dez centavos ao meu amigo Fabiano
Pessoas que se apresentam tão simpáticas
“antenadas”, “descoladas” e postam videos a todo instante nos quatro cantos do Planeta
Quer estejam nas ruas, nas praças em casa, estádios, no comércio em seus locais de trabalho...
Lindas! Fofas! Interessantes! Meigas! Coitadas...
Sofredoras, necessitadas, desamparadas, doentes, medíocres... Umas praticam yoga outras até voam de paraglider querendo ganhar as alturas e a sua simpatia
São tão transparentes e verdadeiras
quanto seus perfis públicos
nessas redes sociais eletrônicas
Sim, sim, são tão simpáticas...
A Grande Decadência, na verdade
não é das instituições (escudos)
e sim, do espírito humano...
O caos que há no mundo
é o caos que há no homem
..E eu, com certeza
Não sou o Dalai Lama
Sinto muito...
cruspt!
(para essas pessoas...)

